UM DESAFIO AO LEITOR, CONHECER

O PIONEIRISMO MISSIONÁRIO DE SARAH POULTON KALLEY

Aproveitando o mês que se comemora o dia das mães e também da família, em tempo, faço uma homenagem a todas as nossas irmãs em Cristo Jesus, que tem desempenhado o papel de mãe, esposa, profissional e também obreira na Obra do Senhor.

Através deste artigo, reconhecendo em Sarah Kalley, não só uma mulher, mãe ou boa esposa em suporte ao trabalho missionário de seu esposo Dr. Robert Reid Kalley, mas também, de uma mulher à frente do seu tempo produzindo um legado histórico no processo de evangelização de nossa Pátria. Vinda de uma sociedade Vitoriana, que imobilizava o desempenho feminino na definição de seu papel segundo Cardoso, “O estereótipo da mulher ideal da sociedade inglesa era o de boa esposa e dona de casa.

 

Quando a mulher rejeitava este papel e “invadia” o espaço público ela era submetida a uma série de questionamentos, chegandose até a duvidar-se de sua feminilidade” (2005, p. 83). Nós cincos documentos historiográfico acerca dos Kalley, apresentados às paginas 19 a 21 da obra de Douglas Nassif Cardoso, a imagem apresentada de Sarah não se distância do posicionamento histórico conferido as mulheres.

 

Nossa missionária é vista, apenas pelo seu “estilo passivo”; “acompanhando seu esposo”; “Digna esposa e colaboradora do Dr. Robert”; “Consagrada esposa e colaboradora do Dr. Kalley na obra de evangelização e extensão do Reino de Deus”; “Companheira e colaboradora fiel”. Dentre os cinco, apenas o livro Heróis da Fé Congregacionais expressa: “O trabalho do Dr. Kalley e o de sua esposa. 

 

 D. Sarah, tem muita coisa em comum” (2005, p. 20). Mas sua história segue as margens do engessamento sociocultural de sua época, através dos diários de Sarah Kalley, de Robert Kalley e dos documentos históricos produzidos nas trocas de correspondências com a igreja, Agência Missionária, Família, amigos, pastores, alunos e autoridades, o Doutor Nassif Cardoso tem sua Tese de Doutorado, transformada no livro:

Sarah Kalley, Missionária Pioneira na Evangelização do Brasil, onde empreende a real imagem de nossa missionária. Mulher, mãe, esposa, serva do Senhor e, acima de tudo, um coração voltado a um evangelho transformador que visa o ser de forma integral.

 

Nascida numa família de estilo de vida Puritano e não conformistas, que almejava a transformação espiritual e doutrinária da Igreja Anglicana, pertencente ao Rei da Inglaterra, soube conciliar com maestria, tanto o puritanismo, de numa vida equilibrada, racional, numa santidade exteriorizada pelo ardente desejo de tomar o mundo pra Deus, movida pelo não conformismo à vencer as amarras culturais de seu tempo, cerceadoras da capacidade engajadora da mulher.

 

Aproveitando-se da instrumentalidade acadêmica secular proporcionada pela vida abastada de seus pais que lhes outorgaram professores particulares a lhe ensinarem em casa, como convinha as mulheres da época, pela formação musical influenciada pelo seus tios que eram músicos e pela formação religiosa na Escola Dominical, do qual seu pai William Wilson era superintendente, seu trabalho como professora de Escola Dominical é reconhecido nas palavras do pastor da Igreja Congregacional de Torquay, Rev. Nicholas Hurry.

Eu tomei conhecimento dela em 1848, quando tornei-me pastor da Albany Road, Torquay, e descobri de que maneira responsável e igualmente inteligente e bem sucedida era como professora” (CARDOSO, 2005, p. 90). O caráter não conformista de Sarah se expressa a frente da classe dos adolescentes, confiada pelo seu pai.

 

Ela não se conteve aos ensinos de domingo, “sensível às limitações de alguns que trabalhavam durante o dia e não possuíam condições de receberem um ensino formal, Sarah criou, com a autorização de seu pai, uma escola noturna em que compartilhava seus conhecimentos adquiridos no tempo do internato” (CARDOSO, 2005, p. 91).

 

Ela era como uma mãe a seus alunos, mesmo partindo para os Estados Unidos e posteriormente o Brasil, ela mantinha através de correspondências contatos com seus alunos, dentre eles, Wiliam Cooksley, que se tornou ministro congregacional; James Hamlym, que se tornou capitão de navio, e o mais conhecidos deles no Brasil, Wiliam Deatron Pitt, que acompanhou as obras missionárias de Sarah nos Estados Unidos e no Brasil, chegando ao presbitério da Igreja Evangélica Fluminense e ao ser transferido para São Paulo, tornou-se o segundo pastor presbiteriano ordenado no Brasil.

 

O ministério docente de Sarah alcançava todas as faixas etárias, e para ambos os sexos nas igrejas, buscando responder as necessidades humanas através do ensino bíblico, musical, alfabetização, conhecimento gerais e ensino de idioma. “O movimento de escola dominical preconizava a educação como um todo, abrangendo a área moral, espiritual e secular com condição básica de reformar-se a sociedade” (CARDOSO, 2005, p. 119).

 

A experiencia iniciada em Torquay – Inglaterra, se concretizava por onde nossa missionária atuasse: Illinóis, nos Estados Unido e Brasil. Ao longo de sua caminhada evangelística, a Escola Dominical sob seus cuidados ministrou aulas em três línguas: Inglesa, Alemã e Portuguesa.

Mas sua capacidade de liderança não se restringe a ministração do ensino, com seu retorno de Petrópolis para o Rio de Janeiro em 1864, a história registraria uma outra face de seu legado, ela assumiu definitivamente o ministério de colportagem dando início ao seu completo envolvimento com a liderança da IEF, em virtude da enfermidade de seu esposo e, assumi a liderança, sem nunca está a frente de um púlpito, por convicções próprias e costumes de sua época do qual ela respeitava, mas tais costumes não a impedia de escrever sermões para os presbíteros, até mesmo para seu esposo, ensinava os colportores o caminho da evangelização, como responderem aos questionamentos a fé, administrava todo processo de colportagem, escrevia cartas com teor pastorais aos colportores presbíteros, colocando-se como confidente e conselheira dos líderes da igreja. Esteve à frente dos Cultos Domésticos, um dos principais mecanismo de evangelização da IEF, implantou a Escola Dominical no Rio de Janeiro e, com ousadia para época em que viveu, fundou a Sociedade de Senhoras numa expressa ambiguidade comportamental de Sarah “de um lado submissa aos padrões sociais impostos pela “Sociedade de Senhoras” inglesa em que se formara e, de outro, as aparentes “transgressões” que cometia, como no exemplo [..] ao fundar a “Sociedade de Senhoras”, pode ser explicada por suas matrizes não-conformistas” (CARDOSO, 2005 p. 216-217).

 

Após a saída de Sarah do Brasil, em julho de 1876, suas sucessoras continuaram este sistema de instrução das mulheres que participavam da “Sociedade de Senhoras”, capacitando-as a dirigirem reuniões na IEF e, principalmente, no trabalho de visitação domiciliar, tanto de evangelização como assistencial. Cada mulher fluminense tornava-se uma agente de proclamação do Evangelho e uma instrutora das doutrinas cristãs. (CARDOSO, 2005, p. 221). Elaborou, ainda, a primeira edição brasileira de Salmos e Hinos, foi responsável na preparação de traduções de livros, tratados e folhetos. Mesmo após a sua saída do Brasil em julho de 1876, seu espírito missionário a levou a criação da instituição “HELP FOR BRAZIL MISSINON”, com financiamento e preparação de missionários e missionárias.

 

No mesmo espírito não-conformistas, os homens que estiveram ao seu lado, como seu pai e seu esposo, não sufocaram o espírito evangelístico e criativo de Sarah Kalley, o que nos serve de reflexão para os momentos atuais, por isso, vos convido a lerem a citada tese de doutorado sobre Sarah Kalley, bem como fazer a leitura da dissertação de mestrado do mesmo autor, sobre Robert Reid Kalley. Rio de Janeiro, 29 de maio de 2018. 

 

Pr. Carlos José da Costa Quintas

 

Pr. Carlos Quinta

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